sábado, 15 de maio de 2010

A estrutura e a cisão

Conforme os grupos sobre entrevista na abordagem cognitivo comportamental mostraram, a estruturação pode ser importante para manter a segurança do paciente e otimizar a entrevista a fim de preencher todos os objetivos para conhecer um dado paciente. Por parte de quem afinal está a insegurança? O ponto chave aqui é que aquele sujeito que sente-se inseguro, pode fazer mal uso dessas técnicas que serviriam, numa relação de custo e efetividade,como maneira ágil de diagnóstico e encaminhamento.
O apego a formas encaixotadas de olhar clínico serve, dentro de instituições para um ótimo aprendizado, para que a grande demanda seja afunilada em diversas linhas mas pode prejudicar aquele que almeja ser conhecedor do ser humano. Aqui ser não é simples fato de estar no corpo físico, mas o processo de devir constante a que estamos sujeitos, ser mãe, vizinha, professora, aluna de dança, amiga.
Pode parecer exagero que minha crítica se enverede por outras instâncias que parecem distantes da clinica, mas o que me preocupa é a formação profissional do psicólogo, que ao utilizar a abordagem cognitivo-comportamental, peque por iludir-se numa idéia de estrutura humana rígida, cindida,psicótica.Não parece justo utilizar um prisma alternativo, simbólico, mas a preocupação que tenho em levar em conta a forma de manejo dos intrumentos faz com que radicalmente critique a reiteração que faz o estudante que longe de estar seguro de si veja na técnica uma forma de lidar consigo e se amarra aos protocolos como uma forma de fuga da sua subjetividade, desconsiderando a do outro.
Não é mais uma questão de utilizar uma ou outra teoria para crítica, mas sim de embasar em um instinto básico de gregarismo que como seres sociais possuímos.Voltei aqui as bases da teoria cognitiva evolucionista para criticar a própria técnica cognitivo-comportamental.
Ainda posso adicionar que sendo seres de linguagem, que constituem cultura através dela, temos a partir das histórias que a pessoa nos narra algo bem particular.Isto acontece tanto através da forma como ela conta essa história, a estrutura sintática, como nas significações das palavras, por exemplo “cola” que tanto é um objeto que fixa como uma maneira de dizer que estou chegando na casa de alguém.
Partimos aqui para as gírias e toda essa volta nos leva ao começo, como? Levando em conta o fato de que a técnica simplesmente não garante uma boa entrevista. Esta é dependente de nosso desejo de conhecer o sujeito e sua demanda de forma que os intrumentos nos ajudem e não engessem aquela pessoa que além de sofrer usa gírias, se diverte, assiste a novelas e sabe mais dela do que a gente, pois sente-se nessa cisão, como uma unicidade.

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